nas 329 poesias do MA

Papo de Anjo

19 de julho de 2008

Meu anjo da guarda não guarda segredos,
Me deixa dormindo e, sobre teu leito,
Te conta em sonhos meus males, meus medos,
Te faz minha dona. Me dá imperfeito.
Te traz de presente meu tempo passado.
Te mostra quem sou. Com pureza, verdade.
E, à revelia, te diz meu pecado:
Te amo. E já faz uma eternidade.

De Volta

19 de julho de 2008

Onde está você
Que não está me procurando?
Onde está você, amor?
Fui andando, desejando te esquecer,
Machucado, eu caminhei a esmo...
Só queria ir pra longe de você,
Me afastei devagarinho... de mim mesmo...
Cheguei a nenhum lugar... vi o desconhecido...
Ou você vem me achar... ou tô perdido

Perdido...

Solto nesse meu mundo de tédio...
Preso nessa sempre-mesma-vida...
Sem graça... Desgraça descabida...
Doente de amor... E sem remédio...

Já não rio. Já não gozo. Já não sonho.
Já acho o arco-íris enfadonho...
Já não enxergo nem respiro poesia
E é amargo o pão-meu de cada dia...

Já não tô achando nada bom
Nada disso aqui me satisfaz
Tô achando Tom fora de tom
E os versos de Vinícius, imorais...

Onde está você
Que não está me procurando?
Onde está você, amor?

Eu quero de volta o amor da minha vida
Eu quero o amor da minha vida
Só quero o amor da minha vida...

Vício

19 de julho de 2008

Quando julguei-me liberto
De toda a antiga agonia,
De todo o passado incerto,
Daquela vida sombria...

Quando pensei ser o fim
De tanta insônia e dor,
Que o sol nasceria pra mim,
Doando-me luz e calor,

Percebi-me na verdade
Preso em uma armadilha:
Não há mais felicidade
Sem teu cheiro de baunilha.

Banho

19 de julho de 2008

Serena. Sozinha com seus pensamentos...
A luz do dia vem pela janela
E antecipa o fim de maus momentos,
Por todo o quarto o cheiro de canela.

Mais que o corpo, recompôs a alma
No banho, imersa em tantas memórias
Que se misturam e resultam em calma.
Esquece as dores. Lembra das vitórias.

Com a toalha áspera na pele macia
Remove medos, traumas e liberta.
Já não se sente tão distante e fria,
E já intui, com a mente mais aberta.

E ela escuta o próprio coração
Que antes do banho estava tão calado
Mas agora bate com a emoção
De um alegre recém-libertado.

Entrega-se a moça, revigorada,
A um destino muito mais bonito.
Segura, em sua nova estrada
De amor lindo, puro e infinito.

Inevitável

19 de julho de 2008

Não há poesia no mundo
Que consiga exprimir
Esse amor tão profundo
Que eu insisto em sentir.
Não há versos que alcancem
Seu sentido ou dimensão,
Tampouco rimas que entrancem
O sentimento e a razão.
É um amor inefável,
Uma paixão inenarrável,
Um desejo inexplicável...
De um poeta inexorável
Com uma força inesgotável
E uma ânsia incontrolável
Pela musa inestimável
De alma inabalável
E coração inescrutável.

Tragédia inevitável?

Única

19 de julho de 2008

Eu naveguei
Os sete mares
Te procurei
Por mil lugares
Te encontrei
Entre milhares
Me apaixonei
Em dois olhares

Lindos e ternos.
Eternos.

Na lembrança. Na saudade
De te ter. Na esperança. Na vontade
De viver.

Mais que perfeita

19 de julho de 2008

Onde está essa mulher
Que, há muito, em meus sonhos habita,
Que faz de mim o que quer,
Me encanta, me envolve, me excita?
Com lábios que me enlouquecem
Com olhos que me atiçam
Com braços que me aquecem
Com seios que me enfeitiçam
Sem medo de ser feliz
Sem pudor de ser mulher
Sem complicar o que diz
Sem reprimir o que quer
Com mãos que me acariciam
Com palavras que me prendem
Com beijos que me saciam
Com lágrimas que me rendem
Sem manias e sem vícios
Sem traumas e sem pavores
Sem manhas ou artifícios
Sem saudosos amores
Com o perfume que eu quero
Com o sabor que eu adoro
Com formas que eu venero
Com tudo por que imploro.

Serenidade

19 de julho de 2008

Serenidade:
Palavra perdida no espaço
Saiu sem olhar pra trás,
Ligeira, apertando o passo
Não deu notícias.
Jamais.
Serena idade?
Tolo, imaginei-me aos trinta
Calmo, tranqüilo e maduro
Desilusão fez que eu me sinta
Bem mais frágil.
Inseguro.
Serenidade,
Por que tu foste embora?
Volta pra cá, por favor
Acalma meu peito que chora
Porque é vazio de amor.

És

19 de julho de 2008

Doce, meiga e delicada,
Alegre, irônica, inteligente,
Tranqüila, bem-humorada, T
ímida, irreverente.

Teimosa, precisa, adorável,
Esperta, calma, instintiva,
Colorida, indecifrável,
Incrivelmente criativa!

Verdadeira, sensível,
Engraçada, correta, de paz,
Compreensiva, imprevisível,
Controlada até demais!

Curiosa, obstinada,
Persistente, difícil,
Ansiosa, iluminada,
Especial desde o início!
Fofa, comunicativa,
Diferente, dengosa,
Rara, introspectiva,
Exageradamente charmosa!

Pura, desconcertante,
(E, agora, mais presuntinha...)
Suave, apaixonante
Linda e, claro, minha!

N. do A.: Presuntinha é uma brincadeira, particular, com mais uma qualidade: presunçosa.

Como?

26 de fevereiro de 2008

Ah! Se eu ousasse dizer…
Se eu conseguisse expressar…
Talvez tentando escrever…
Ou, quem sabe, cantar…

Mas a coragem escasseia
A timidez me domina
O meu medo me cerceia
Me prende e desanima

Como saberás, então?
Se o sentimento não digo
Me terás como um irmão
Apenas um bom amigo…

E o que sinto é em vão
Pois a ti eu não declamo
Ao segurar tua mão
Não te digo que te amo…

Soneto do Ex-poeta

29 de outubro de 2005

Já faz quase uma hora
Que eu só consigo rimar
Amor que se foi embora
Com amor que não quer voltar

A dor que dói no meu peito
Dói também no meu caderno
Não acho um verso perfeito
Nem tenho um amor eterno.

Perdi o dom da escrita
Que era o meu ganha-pão
Perdi a moça bonita

Perdi com ela a paixão
E a esperança infinita
Que enchiam o meu coração.

Carolina

27 de outubro de 2005

Carolina,
Doce amiga,
Mais que amiga,
Mais que doce.
Se fosse,
Carolina, uma flor,
Seria um amor-perfeito
Que eu usaria no peito,
No terno,
Pra mostrar o amor eterno,
De amigo,
Que eu trago sempre comigo,
Para dar pra Carolina
Do colo que me acolhe,
Me nina.
Menina,
Do abraço
Que me aquece,
Da palavra que me ensina.
Minha fortaleza,
De rara beleza,
Sorriso que me acalma
E alma
Cristalina.

Esse foi de presente pra minha grande amiga Carolina Senna.

Ana

19 de outubro de 2005

Ana.
Goiana.
Se diz mundana
Se faz profana
Com nome de santa.
Dança a Taranta
E entra em transe.
Profundo.
E ganha o mundo.

Ana.
Veneziana.
Impaciente.
Indecente.
Coxas expostas
E as costas.
Ana.
Balzaquiana.
Adolescente.
Envolvente.
Entre a doçura de Cecília
E o erotismo de Miller.

Ana.
Capricorniana.

Para Ana, que pediu poema. E jamais vi.

O que dar de presente

24 de setembro de 2005

O que dar de presente
Pra uma mulher diferente -
Que é gêmea da primavera?

Eu não sei o que ela espera
Mas tenho pouco pra dar...

Alguns mal traçados versos
Ou uns sonetos dispersos
Que se recusam a rimar...

Não tenho eu competência
Para fazer reverência
Com minhas toscas palavras
Pra uma mulher tão bonita
Que traz um brilho no olhar
E um sorriso nos lábios
Que fazem a gente sonhar.

Ela traz todas as cores
E o perfume das flores
De uma nova estação.

Ela desperta amores
E acaba com as dores
Do meu pobre coração.

O que que eu dou de presente
Pra essa mulher diferente
Que é irmã da primavera?

É bem melhor nem tentar
Pra não deixar descontente
Pois se ela for exigente,
Não tenho nada pra dar.

Presente de aniversário, pra minha amiga Vanessa Buchheim