SMS
Muitas vezes o que escrevo,
Eu sinto.
Outras tantas o que sinto,
Escrevo.
Se escrever que não te amo,
Eu minto.
Se o contrário não escrever,
Eu devo.
Muitas vezes o que escrevo,
Eu sinto.
Outras tantas o que sinto,
Escrevo.
Se escrever que não te amo,
Eu minto.
Se o contrário não escrever,
Eu devo.
Vez ou outra
O amor chega de mansinho
A passos de passarinho
E ninguém nem se dá conta.
Aí apronta,
Desassossega a gente,
Faz a vida, de repente,
Virar de ponta cabeça.
Há quem mereça
Ganhar reciprocidade,
Achar a paz de verdade
No olho do furacão.
E há quem não.
Não sei de mim
Se não ou se sim.
Ou se talvez, talvez.
E dessa vez
O amor chegou devagar
Com a calma do teu olhar
Na brisa do teu perfume.
E eu, não estava imune,
Me vi de frente pro amor
Faço de conta que o mereço
E, por isso, não te esqueço
Desde o dia em que te vi.
Senti frio.
Senti medo.
Senti falta.
Corri pra tentar chegar antes
Mas por meros instantes
Cheguei atrasado.
Menti pra evitar estragar
E quando acordei
Já estava estragado.
Bebi pra esquecer que bebia
Pra esquecer
O que eu não esquecia.
Gritei pra arrancar do meu peito
O passado imperfeito
Que tanto afligia.
Chorei pra lavar a alma
E os olhos incrédulos
No que não enxergavam.
Escrevi por insegurança,
Pra manter a esperança,
Pra desabafar.
Rezei pra não te ver.
Pensei pra te alcançar.
Vivi pra não morrer.
Caí pra levantar.
Calei por falta de opção
E interlocutor.
Amei por falta de amor.
Beijei a boca errada
Sem paixão, sem desejo
E com gosto de nada.
Lembrei de você todo dia
Vivi a agonia
De um condenado.
Lembrei de você todo dia
E por covardia
Estive calado.
Onde você está
Exatamente agora?
No que estará pensando
Daqui a meia hora?
Eu não sei mais nada
Sobre a sua vida
Eu não sei mais nada
Sobre a sua lida
Sobre as suas fotos
Seus rascunhos
Seus sonhos
Seus receios
Seus recreios
Suas juras de amor
Se há amor.
Eu não sei mais nada
Das suas longas viagens
Pelos caminhos mais estranhos
Da imaginação
Que Deus deu pra você.
Nem das suas breves viagens
Com estranhos, pelos caminhos
Que na imaginação,
Deus nos teria dado...
Não sei das suas férias
Das suas misérias
Das suas farturas
E das criaturas
Que ficam embaixo
Ou em cima
Da sua cama.
Não sei se você me ama.
Mas sei se eu amo você.
Não sei como cabe tanto orgulho
Em um metro e sessenta
Não sei como você agüenta,
Suporta essa tormenta
Calada
Parada
Gelada
Como se tudo o que aconteceu
Com tudo o mais que iria acontecer
Fosse nada.
Somos ilustres desconhecidos
Um do outro
E nem faz tanto tempo
Mas ao mesmo tempo
Faz.
Faz frio.
Mesmo no calor.
Tanta gente pra amar
E tanta falta de amor.
Acho que deixei na sua bolsa
Uma bala,
O papel do estacionamento
E o meu melhor sentimento.
Porque não o encontro mais...
E já revirei tudo.
Estou tranqüilo, em pé,
Talvez feliz
Mas com um escudo.
Que me separa do mundo
De todo mundo
Que eu poderia amar
Como amei você.
Onde você está
Exatamente agora?
Que saudade que eu sinto da gente…
Daquele tempo…
Quando tudo parecia ser perfeito,
Quando o mundo parecia ser do jeito
Que eu queria,
Quando todos esses relógios homicidas paravam
Pra eu ver
Que você sorria.
É, eu ainda tenho a coleção que fiz
Com todos os sorrisos que você me deu
Quando me olhava daquele jeito
Meigo, doce, franco,
Que é o seu.
Nem sei porque
Mas hoje deu uma vontade,
Uma vontade louca
De dizer
Que eu faço o meu melhor, o meu maior,
Pra ser sua amiga
Mas,olha, talvez, eu não consiga…
Porque o que eu trago aqui dentro
É diferente,
Tem a ver com essa saudade que eu sinto
Da gente…
Tem a ver com tudo o mais
Que eu nunca mais
Consegui sentir.
E faz tanto tempo…
Milhares de noites em que dormir
É marcar encontro com você…
E saber que é lá que vou escutar de novo
As coisas todas que você me disse
E eu amei que dissesse…
Aquelas coisas lindas, você sabe,
Que a gente não esquece…
É também no sonho que vou sentir seu toque,
Por mais que isso me agrida,
Atravesse a minha vida
E provoque,
Uma coisa esquisita,
Que apesar de bonita,
Eu jurei pra mim mesma, que não quero sentir.
Demorei pra perceber que eu não podia fugir
Porque não existe lugar pra eu ir
Que não sinta você
Porque quando escolhemos o Não,
Na pressa acabei esquecendo
De arrancar você do coração.
Nossa! Que saudade que eu sinto da gente!
Você me deixa tão aflita
Que eu preciso ver se estou bonita
Pra falar ao telefone
Com você…
Minha voz fraqueja, a boca seca,
A mão sua.
A mão que é sua.
E eu fico nua,
Me entrego.
Não nego
Minha felicidade
Que não se recolhe,
Não se intimida,
Não escolhe
Momento pra fugir, exultante,
Do peito.
Peito que é seu.
Meu amor não morreu,
E isso é tudo.
Durante muito tempo ficou mudo,
Mas vive.
Cada dia mais maduro,
Cada hora mais seguro,
E ainda tão puro,
Como antigamente.
Quando tudo o que eu tinha
Era a promessa da gente…
Fui eu quem trouxe a serpente?
Fui eu que decidi sair
Do nosso paraíso?
Ou era só conto de fada
E o que era tudo, hoje é nada
Porque deu meia-noite?
Meu Deus! Você deve estar se perguntando
Da onde eu estou arrancando
Esse sentimento…
Mesmo sem teu consentimento
Eu o mantive guardado
No lugar em que ficou largado
Quando você
Preferiu não voltar.
Você, a essa altura,
Já pensa que é loucura
E, sim, eu sou louca
E só penso em sua boca
Sussurando ao meu ouvido
Ou - quem sabe? - o gemido
De prazer
Que está contido,
Está preso…
Isso te deixa indefeso?
Te assusta?
Não é preciso ter medo
Isso era só um segredo
Que eu resolvi te contar!
Olhos da Lara
São lindos,
Caros.
Os olhos da cara.
São meigos,
São puros,
Pretensamente seguros,
Os olhos da Lara.
São olhos felinos,
São olhos divinos,
Que olham pra Deus.
E hipnotizam,
Se sintonizam,
Se sincronizam
Com os meus.
Olhos da Lara,
Tão bonitos!
Mesmo quando tristes,
Mesmo quando aflitos.
Mesmo quando errantes
E sempre mais que antes
Sempre apaixonantes,
Sinceros.
Às vezes, severos.
Olhos da Lara
São olhos que abraçam,
E não disfarçam
Sentimentos
São olhos castanhos.
São olhos atentos.
São olhos que brilham,
São olhos que trilham
Novos caminhos.
São olhos de olhares
Tão singulares,
Que parecem carinhos!
Olhos da Lara
Me encantam.
Olhos que acalantam.
São olhos pra olhar,
Olhos pra sonhar.
Olhos da Lara
(que coisa mais rara!)
Me fazem amar.
Se
Olho pro lado e não te encontro
E não escuto tua voz, tampouco
Talvez esteja mesmo um tanto louco
Porque ainda sinto teu perfume aqui.
Se
Já não me lembro o dia em que te vi
Nem de tudo aquilo que disseste
Talvez eu seja mesmo um cafajeste
E não mereça estar do teu lado.
Se
Eu não enxergo o que fiz de errado
E não compreendo a tua atitude
Talvez eu seja mesmo muito rude
E estás bem certa quando dás de ombros.
Se
Sobrevivi em meio a esses escombros
E te desejo mais que à própria vida
Talvez tu sejas mesmo a mais querida
Que poderia pra mim existir.
Se
Teus beijos doces foram um elixir
Do mais perfeito e sábio alquimista
Talvez na vida eu jamais desista
De te amar e de te ter me amando.
Se
Cheguei aqui porque segui errando
Daqui não passo se não te levar
Talvez eu deva mesmo te esperar
E é só isso que eu tenho feito.
Eu roubei a orquídea do rei
Pra enfeitar a tua janela
E a minha lapela,
Usei terno.
Eu mandei o capeta pro inferno
Eu driblei o beque e o goleiro,
Eu fui casto um dia inteiro.
Me esquivei das meninas
E limpei as latrinas
Do banheiro.
Eu chorei todas as letras
Que você me escreveu
Eu rasguei algumas outras
Que você não leu.
Eu fiz o dever de casa da vida inteira
Que eu nunca tinha feito.
Me aceitei imperfeito.
Eu entendi teoremas,
E vomitei poemas.
Não paguei minhas contas em dia
Mas fui no enterro de gente
Que eu nem conhecia.
Eu acabei com a cachaça
Pra entender que a dor não passa.
Eu quebrei a vidraça
E me cortei.
Eu vi meu sangue
Escorrendo
Vi a esperança
Morrendo
Vi a lua
Nascendo
Todos os dias.
Eu orei de joelhos
E de todos os jeitos
E pra todos os santos
E por todos os cantos.
Eu gritei.
Ajudei a velhinha na rua.
Ajudei o aleijado na escada.
Fui ajudado por tanta gente
Que não quis nada.
Eu errei,
Acertei.
Eu errei de novo.
Eu fiz tanta coisa
Tanta coisa nova
Eu me coloquei à prova.
Eu me testei.
Eu não falei eu te amo pra ninguém
Desde o último que eu te disse.
Eu queria que você me visse.
E não.
Eu não invadi o aeroporto
Eu não seqüestrei o avião.
Eu me fingi de morto.
E eu não fiz serenata em Milão.
Mas devia.
Saudade não é saudável...
Tão ingrata emoção
É doença incurável
É a solidez da solidão
Saudade, insano vazio
Que preenche o coração
Saudade é um dia frio
Bem no meio do verão
Saudade é forma de dor
Que dói no peito que espera
Saudade é jardim sem flor
Mesmo em plena primavera
Saudade é falta de sorte
Saudade é prima da morte
Saudade derruba o forte
Saudade... Maldade...
Saudade é medo. É trauma
De viver longe de ti,
Saudade é minha alma
Quando não estás aqui.
Larguei um poema no mar
Em uma garrafa de rum
Se um dia ele te encontrar
Tomara não seja apenas mais um
Tomara tenha a sorte
Que não teve nenhum
De tocar a tua alma
De fazer suar a palma
Da tua mão
De ousar mudar o ritmo
Das batidas
Tão contidas
Do teu coração.
Eu queria tanto
Estar aí contigo
Eu queria mesmo
Ser o teu melhor amigo
Ser de novo teu amante
E não ser o almirante
Sem esquadra
E não ser o comandante
De um barco naufragado
E não ser o habitante
De uma ilha tão distante
A viver apaixonado...
Larguei um poema no mar
Escrito com tinta vermelha
Se um dia ele te encontrar
Que nos sirva de centelha
Que acenda no teu peito
Que acenda do teu jeito
A paixão que existe no meu.
Larguei o poema no mar,
Pedi ajuda a Netuno
E no momento oportuno
Ele vai te entregar.
Após noite mal dormida
Tu estarás distraída
E ao olhar o mar de Angra
Vais se lembrar que ainda sangra
Meu coração, com saudade.
E vais ver, então, uma garrafa,
Presa, talvez, na tarrafa
De algum pescador.
Dentro estará um poema
E, com certeza, o amor.
Pelo homem que deu por cachaça
O dinheiro que compra seu pão.
Pelo outro que deu, por desgraça,
O que tinha em seu coração.
Pela santa que chora em vermelho
Pelo velho que jaz no caixão
Pelo estranho que eu miro no espelho
Pela moça que inspira a canção
Pelo moço que canta o fado
Pelo artista que pinta com o pé
Pela virgem que cheira a pecado
Pelo ateu que vive da fé
Pelo surdo que toca piano
Pelo cego sem medo do escuro
Pelo tolo e seu tolo engano
Pelo homem que reza no muro
Pelo réu que jura inocência
Pelo cão que lambe seu dono
Pelo escravo que pede clemência
Pelo anjo que vela o teu sono
Pelo soldado sem dia seguinte
Pelo rosto que está no jornal
Pelo sem-teto e sem requinte
Pelo mendigo do sinal
Pelo palhaço que chora
Pela estudante que ama
Pela amante que implora
Pela velha que reclama
Pelo velho que não escuta
Pelo ambulante que berra
Pelo menino que luta
Pela gente que erra
Pela mãe que espera seu filho
Pelo pai que rouba por fome
Pelo insano que deita no trilho
Pela puta que tinha o teu nome
Pelo amigo que abraça
O amigo em pranto
Pelo Pai, pelo Filho
Pelo Espírito Santo
Pelo amor da minha vida
Que ainda vou conhecer
Eu juro e, de novo, eu juro
Que agora eu vou te esquecer.
Momento solene
Quando te vi
Amor perene
Nasceu ali?
Uma hora antes
Ou séculos depois
Finalmente instantes
De só nós dois...
Chegaste,
Sorriste,
Ficaste.
Aprendemos,
Sofremos.
Vivemos.
Sinto tua falta.
E mesmo sem saber se um dia
Hei de rever-te,
Desejo que teus desejos
Tornem-se reais,
Que teu peito seja lar para o amor
E tua alma
Para a paz.
Que nos teus dias
Não caiba o medo,
Não caiba a dor,
Não haja sequer a sombra
Da incerteza
E que teus passos sejam firmes, constantes,
Seguros
Na direção, não necessariamente do paraíso,
Mas do que, tu, julgues preciso
Para viver.
Que a sagrada luz
Que brota dos teus olhos Ilumine a tua estrada
Para que torne-se serena
Tua jornada.
E que em todas as manhãs
O perfume inconfundível
Da felicidade
Faça-te perceber teus sonhos,
Tornando-se
Realidade.
Hipnotizado,
Perplexo,
Paralisado
E sem nexo,
Descontrolado,
Ofegante,
Alucinado
E delirante.
Intrigado,
Indefeso,
Abobado
E surpreso.
Instigado,
Confuso,
Sufocado
E obtuso.
Encantado!
Muito feliz
E apaixonado...
Quando sorris!